Alegria

Um olhar pela janela e vejo dois adultos em suas bicicletas, cada um portando um bebê, que poderiam ter entre 2 e 3 anos, passarem pela rua.Cena comum na terra das bicicletas não fosse por dois detalhes que rapidamente me chamaram a atenção.

A aparência da família que nitidamente mostrava ter sua origem do oriente médio e a alegria contagiante estampada nos rostos dos quatro enquanto dirigiam como que uma leve insegurança de principiante.

Imaginei que poderiam ser uma das famílias de refugiados recebidos na cidade e não me foi difícil sentir a leveza em seus espíritos “livres” do horror da guerra, da certeza da morte que talvez tivessem deixados para traz. 

©Vilma Machado

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Entender o todo

De repente você é convocado
para uma nova quimera
Não percebe
que está sendo encurralado
Os amos sempre alertas
fartam-se no jantar da dominação
Devoram sua consciência
e seu coração
Quando eu compreender
que eu não sou eu
entenderei minha incompletude
terei compreendido
o eu e o todo
desta harmônica apostasia

©Vilma Machado

Alma transtornada

Quando um ser humano não tem capacidade de perceber que em tudo existe milhões de perspectivas e que somadas as narrativas de cada um …..

As horas passam lentamente
num silêncio hostil
Entre desgraças e ânsias
o esforço renovado se esvai
com a noite e solidão
O desejar do poder
alimenta a tormenta
da alma transtornada e vil.

© Vilma Machado

 

Discursos

Discursos
eternos
provisórios
compulsórios
Todos derrotados
num campo de subjetividade

Que loucura
os que gritam todas as dores
os escravos de reis bajulados
o abstrato diante do espelho-meu

Verdades
ignoradas no verso e no verbo
trocadas por vulgaridades mitológicas
seguidas por séquitos loucos
mutantes de si

©Vilma Machado

Blue Future

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As vezes o mundo parece assim
se desmanchando
escorrendo pelas nossas mãos
deixando um gosto amargo
de uma sensação de nada poder.
As vezes o mundo parece assim
se desmanchando
sob a chuva de palavras bélicas
de um algoz implacável
que escarra fome, miséria e sangue.
As vezes o mundo parece assim
se desmanchando
no caos presente
onde entre cores do arco-íris
fita-nos
ausente da minha presença
neste existir carente.
©Vilma Machado

É carnaval, olé olá

Não chore ainda não, é carnaval
e vocês, vão dançar e cantar
fingindo que a felicidade
por aqui vai passar

A noite, nunca foi criança
e o samba, pode acreditar
também embala a violência
contra meninos e meninas

A dor, tão velha, não pode morrer
pois o bloco do poderosos
mostra pelo mundo seu gingado
cultivando guerras e injustiças
regadas com  ganância desenfreada

E você, meu amigo, tome cuidado
você tem que sambar
tem que fingir que a vida é boa
que o samba toca em todo lugar

Mas não pense que o tempo para
o dia logo vai raiar
e os injustiçados podem o poder tomar
e você, meu amigo, vai chorar……

©Vilma Machado